Vigésimo primeiro V:.M:. – António Jorge

Foi iniciado em 1998. Foi o primeiro assumidamente autoproposto que a GLLP/GLRP admitiu às provas da Iniciação. Com efeito, una anos antes, manifestara o seu desejo de ser admitido maçom mediante uma mensagem de correio eletrónico enviada para a caixa de correio eletrónico da Grande Secretaria da Obediência. Hoje isso não parece nada de especial. Enviam-se e recebem-se milhões de mensagens de correio eletrónico por dia. Presentemente o correio eletrónico é algo de banal, como banal é a troca de mensagens instantâneas em qualquer rede social. Mas nos anos noventa do século passado, estas coisas da Internet e do correio eletrónico ainda se estavam a enraizar nos hábitos. E receber um pedido de admissão à Maçonaria por mensagem de correio eletrónico foi uma absoluta novidade! Uma novidade tão grande que o A. Jorge – é a ele que me refiro! – durante algum tempo após a sua Iniciação era referenciado como “o Irmão da Internet”!

Mas o século XX findou – sem que se tivessem concretizado os temores do desastre tecnológico anunciado para o alvorecer do ano 2000 (lembram-se?) -, o século XXI avançou, pouco depois em Portugal e na Europa havia uma moeda nova, o Euro, e, quase sem se dar por isso, quando, em julho de 2010, o A. Jorge foi eleito para vir a ser o vigésimo primeiro Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues, as novidades tecnológicas já eram coisa comum e o A. Jorge já há muito era apenas (e muito era e é!) o A. Jorge! Sempre ligado às Novas Tecnologias de Informação, é verdade – tanto assim que já há algum tempo era o editor responsável pelo sítio da Loja Mestre Affonso Domingues – mas afinal um maçom que fez o seu percurso normal após a Iniciação, de Aprendiz a Companheiro e daí a Mestre.

Não deixa, no entanto, de ter algo de simbólico que a Loja tenha escolhido como seu líder no início da sua terceira década de funcionamento, maturidade atingida, precisamente um Irmão conotado com a Modernidade e a Inovação, como que enfatizando que, terminado o ciclo do nascimento, implantação, crescimento e superação de crise, o ciclo dos primeiros vinte anos, que a Loja acabara de comemorar, assumia que a sua função, a sua marca genética enquanto Loja Maçónica da GLLP/GLRP era a contínua busca do aperfeiçoamento, da melhoria, da modernidade, da experiência, da excelência, em todos os campos e também no progresso, sem nunca esquecer a sua ligação á Tradição. Tradição e Modernidade, a perfeita simbiose que a Loja Mestre Affonso Domingues vem buscando e que o A. Jorge tão bem encarna e simboliza!

A. Jorge foi eleito para liderar uma Loja pujante, saudável, que acabava de comemorar, com orgulho, as suas primeiras duas décadas de existência. Tudo apontava para que o seu mandato fosse uma aprazível continuação do excelente momento que a Loja atravessava. Mas, entre julho e setembro, altura da sua instalação, o panorama teve algumas mudanças. Nada de particularmente trágico, mas obrigando a suplantar desafios que não eram aparentes à data da sua eleição: mais uma vez, a Loja ia cumprir a sua função de disponibilizar quadros por si formados para, em nova estrutura, realizarem tarefa importante para a Grande Loja.

Já se sabia, em julho, que o Grão-Mestre, por sinal um dos mais antigos obreiros da Loja, designara o Vigésimo Venerável Mestre, Rui C. L., para exercer o ofício de Grande Secretário – o que forçosamente iria limitar a sua participação na Loja, obrigando o seu sucessor a não beneficiar do apoio do Ex-Venerável. Mas o que então apenas poucos sabiam era que, estando em fermentação o processo que viria a culminar na cessação da cisão de 1996/1997 e em curso um processo de regularização de maçons dispersos por estruturas alheias à GLLP/GLRP, se constatara ser necessário que levantasse Colunas uma Loja que enquadrasse um número razoável de elementos que batiam à porta da GLLP/GLRP, solicitando a sua Regularização, e propiciasse a sua boa integração no conjunto da Obediência. E poucos também sabiam então que a nova Loja teria, no seu Quadro Fundador, um conjunto de Mestres Maçons da Loja Mestre Affonso Domingues!

A Instalação de A. Jorge coincide com o anúncio do Alçamento de Colunas da Loja Fernando Teixeira, nome do Grão-Mestre Fundador adequadamente escolhido para patrono da Loja que iria ser um dos pilares do trabalho de ultrapassagem da cisão e reintegração de todos os maçons regulares na estrutura da GLLP/GLRP. Como seu Primeiro Venerável Mestre foi designado Rui C. L. que, assim, teria, não apenas que diminuir a sua assiduidade na Loja Mestre Affonso Domingues (como era previsível, em função dos seus deveres como Grande Secretário), mas, pura e simplesmente, de a abandonar. Não deixava de ser irónico que a Loja Mestre Affonso Domingues, que perdera, de uma assentada, todos os seus Antigos Veneráveis aquando da cisão de 1996/1997, mais uma vez se visse privada do seu Ex-Venerável, agora em prol da superação e do termo dessa cisão!

Mais: com Rui C. L. saía para a Loja Fernando Teixeira mais um outro Antigo Venerável – e elemento muito ativo na Loja e muitíssimo integrado no grupo -, o Paulo FR, e mais quatro ou cinco jovens Mestres, que a Loja preparara e de que se via na necessidade de abdicar, a favor da nova Loja!

A. Jorge não temeu e não tremeu! Se assim era preciso, assim seria. Tinha como Vigilantes dois Mestres da nova geração, mas já experientes, que garantiam o adequado acompanhamento das Colunas de Companheiros e Aprendizes. A Loja mantinha alguns veteranos que podia mobilizar da sua situação de “reserva” para enquadrar e auxiliar os Mestres mais novos que restavam. Era certo que algum do potencial de trabalho, de capacidade e de qualidade era, mais uma vez, perdido pela Loja em prol do nascimento de uma nova Loja. Mas, afinal, essa sempre fora uma das marcas da Loja Mestre Affonso Domingues, que nunca atingiu dimensão demasiado grande precisamente porque sempre cumpriu a preceito o seu papel de enquadrar e ser embrião de novas Lojas.

Portanto, com um sorriso nos lábios e a tranquilidade que lhe é caraterística, A. Jorge deu a volta por cima e conduziu a Loja a assim também fazer. A Loja não só apadrinhou a Loja Fernando Teixeira como organizou a sessão do respetivo Alçamento de Colunas e Instalação do seu Primeiro Venerável Mestre! E depois procedeu aos ajustamentos a que tinha de proceder e… prosseguiu a sua normal atividade.

O início do mandato foi inesperado e trabalhoso. Mas o seu decurso cumpriu-se com normalidade: o Quadro da Loja recompôs-se. A Coluna dos Aprendizes foi reforçada com alguns Candidatos que aguardavam nos Passos Perdidos e, por sua vez, alimentou a Coluna de Companheiros com alguns elementos que, cumprido o seu tempo e o seu trabalho no grau, para isso estavam prontos. Esta, por sua vez, ajudou a recompor o Quadro de Mestres com um novo e promissor conjunto de jovens Mestres. No fim do mandato do A. Jorge, a Loja estava praticamente recuperada em termos de quadros e… pronta para outra! O ano maçónico foi rico em formação e trabalhos apresentados. A relação com as outras Lojas da Obediência manteve-se num agradável plano de fraternidade e harmonia. No fim do mandato do A. Jorge, ninguém diria que ele tivera de gerir a Loja superando uma significativa e inesperada perda de quadros…

Foi um ano trabalhoso para o A. Jorge e que coincidiu com ou imediatamente antecedeu mudanças nos planos profissional e pessoal da sua vida. Terá sido esgotante. Mas pode o A. Jorge estar certo que todos nós unanimemente entendemos que cumpriu o seu mandato com distinção e deixou a Loja melhor do que a encontrou. Soube geri-la ultrapassando as circunstâncias adversas e potenciando os seus meios e forças. Foi um auspicioso começo da terceira década da vida da Loja Mestre Affonso Domingues que é mister reconhecer!

Rui Bandeira

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