Entrevista com Mário Martin Guia

Porquê uma Maçonaria Regular masculina?

O terceiro Landmark (Regra fundamental da Maçonaria Regular), dispõe:

A Maçonaria Regular é uma Ordem, à qual não podem pertencer senão homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr em prática um ideal de paz.

A primeira noção que o terceiro Landmark nos transmite é a de masculinidade da Maçonaria Regular.

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Mário Martin Guia

Esta regra possibilita a crítica de que as Grandes Lojas da Maçonaria Regular seriam misóginas, na medida em que excluem a possibilidade de integração de pessoas do sexo feminino. Apontam ainda alguns críticos que, se se percebe a adopção desta regra no século XVIII e antes, não tem ela já cabimento nos dias de hoje, com a emancipação da mulher inerente à evolução da sociedade.

Não está, porém, caduca nem anacrónica esta regra. Nem revela a mesma qualquer misoginia.

Existindo em Portugal duas outras Instituições com as designações de Grande Loja Feminina de Portugal e O Direito Humano, a primeira exclusivamente para mulheres e com um forte impacto na nossa Sociedade, a segunda para mulheres e homens, seria simples acusar a primeira de misógina por não admitir homens.

Da mesma forma que a Grande Loja Feminina não aceita homens, a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP não aceita mulheres.

Obviamente que nem uma nem outra são misóginas, acontece somente que ambas pretendem que o aperfeiçoamento individual dos seus membros seja feito tendo em conta as especificidades particulares aos respectivos géneros, caso contrário só existiriam em Portugal e nos restantes países do mundo maçonarias mistas.

Pessoalmente considero que a mulher é um ser mais completo do que o homem, por isso, entendo bem que existem múltiplas razões para as mulheres quererem fazer as suas caminhadas na mais livre e completa independência. 

É a Maçonaria Regular um instrumento para ascensão social?

A resposta, convicta, é que a Maçonaria Regular deve ser, procura ser e é neutra em relação à posição social dos seus membros. Em Maçonaria Regular, cada um vale por si, vale pelo que é, não pelo que tem, nem pelo poder de que desfruta, nem pelos contactos de que disponha.

A Maçonaria Regular busca o aperfeiçoamento pessoal, não a ascensão social dos seus membros.

A influência que pode exercer é apenas de ordem moral, pelo exemplo dos seus membros através da aplicação individual dos seus princípios.

Em Loja, o detentor do Poder, o condutor, o decisor, o que detém os símbolos do Poder é o Venerável Mestre. Pois bem: como todos os que já se sentaram na Cadeira de Salomão rapidamente verificaram, a função de Venerável Mestre é aquela em que, afinal, não se tem mais direitos do que o mais recente Aprendiz e se tem mais deveres do que os restantes Mestres. Também quem pensar que a entrada na Maçonaria Regular é uma porta aberta para obter contactos e negócios e o propiciar de condições para “subir na vida”, pense outra vez, e pense melhor! Se for este o motivo que o faz desejar entrar na Maçonaria Regular poupe-se ao trabalho e às despesas. Dentro da Maçonaria Regular fará os mesmos negócios que faria fora dela. O que todos lhe pedirão na Maçonaria Regular é que dê algo de si em prol dos outros. Dos demais receberá o que efectivamente necessite e os demais lhe possam dar, não o que deseje ou egoisticamente pense que lhe convenha. Os negócios da Maçonaria Regular são de índole moral e espiritual. Quem deseje entrar no Templo tem que deixar os seus metais à porta deste. Nem na sociedade profana o estatuto de maçom atribui qualquer privilégio que não o reconhecimento das eventuais qualidades de quem o seja, nem no interior da Maçonaria Regular o estatuto social, profissional, académico ou de fortuna diferencia um maçom de outro; o mais jovem aprendiz só tem uma maneira de se dirigir ao Muito Respeitável Grão-Mestre (apesar de formalmente lhe dar este tratamento): “meu Irmão”! E é o mesmo tratamento que recebe do Grão-Mestre. Assim, aquele que porventura sonhe ser a Maçonaria Regular um local ideal para obter ou reforçar reconhecimento social, não se engane a ele, nem engane os maçons: abstenha-se de pretender ser maçom!

A Maçonaria Regular é uma Religião?

A Maçonaria Regular não é uma Religião! A Maçonaria Regular procura melhorar as relações entre os homens considerando que as relações do homem com Deus são do foro exclusivo das Religiões. A Maçonaria Regular em que nos integramos prossegue o seu caminho sem alimentar querelas com quaisquer Religiões e, seguindo o seu princípio de respeito estrito pela liberdade de opinião dos outros, mesmo quando lhe é adversa, não antagoniza quaisquer Grupos Religiosos, procurando, sim, esclarecer-lhes, sempre que possível, a sua posição de absoluta neutralidade. Esta atitude é actualmente seguida pela maioria dos líderes das mais antigas e respeitadas Grandes Lojas da Maçonaria Universal, pontos de referência para as restantes Grande Lojas Regulares dos países em que a democracia é um valor já adquirido. Nas Lojas da Maçonaria Regular são proibidas discussões sobre Religião e Política. Para uma Grande Loja Regular o não cumprimento rigoroso destas normas constitui causa para perda do Reconhecimento pelas outras Grandes Lojas Regulares. Teria sido esta uma das razões porque na década de trinta do século passado Portugal perdeu a Regularidade e o consequente Reconhecimento pelas outras Grandes Lojas Maçónicas Regulares Mundiais, Regularidade e Reconhecimento esses que só foram possíveis de retomar para o nosso País, pela nossa Grande Loja, em 1991.

A Maçonaria Regular exige como condição indispensável para se lhe pertencer a crença num Deus pessoal. Cientes da escola filosófica de pensamento maçónico de onde partimos e de uma relativa juventude na cadeia mundial de Grandes Lojas Regulares baseamo-nos nas opiniões das principais fontes de referência das mais respeitadas Grandes Lojas e Organizações Regulares Maçónicas (UGLE, USA, Sec. Conf. Mundial, GOB, Ferrer) para dizer que, segundo elas:

O maçom regular reconhece, invoca e roga ao deus pessoal criador e providência do mundo, não a uma entidade vaga sendo condição imprescindível para lhe pertencer a crença em deus e na sua vontade revelada. A Maçonaria Regular reconhece a revelação divina e a imortalidade da alma, para ela a crença em deus é o maior sinal de toda a maçonaria autêntica e verdadeira. O Grande Arquitecto do Universo é o deus criador, não o deus organizador, e representa a divindade. Não existe um deus maçónico e a maçonaria não é uma religião; o maçom permanece fiel ao deus da fé que professa. A Maçonaria Regular não pretende a união das diversas religiões e não advoga e seu sincretismo; não advoga também a criação de um deus composto. No entanto e como expressamente indicado pela UGLE em Constitutions, Charges of a Freemason, Deveres do Maçom, deve também sublinhar-se que o conceito anterior é ampliado quando estipula que: Um maçom é particularmente obrigado a nunca agir contra os ditames da sua consciência. Seja qual for a sua religião ou forma de culto, o maçom não é excluído da Ordem, desde que acredite no glorioso arquitecto do céu e da terra e pratique os deveres sagrados da moral, não sendo, portanto, excluídos da Ordem aqueles que acreditando em deus para ele caminham pelas vias da consciência, da razão e da moral …

…e é nesta beleza de podermos empreender colectivamente e sem atritos as nossas caminhadas individuais para aperfeiçoamento dos nossos Templos Interiores que reside uma das maiores forças da Maçonaria Regular. Teremos, assim, uma matriz original que, a si própria, se completa no respeito pela liberdade individual de cada Irmão em escolher individualmente os seus caminhos do Coração e da Razão.

Repito: A Maçonaria Regular não é uma Religião; a Maçonaria Regular tem como vocação contribuir para a melhoria das relações entre os homens; a Maçonaria Regular entende que a relação entre o Homem e Deus compete exclusivamente às Religiões. Aliás, os Rituais de Instalação da Maçonaria Regular estipulam expressamente que os nossos chefes devem procurar encaminhar sempre os nossos Irmãos em direcção aos princípios da Piedade e da Virtude. A nossa Grande Loja já estabeleceu e mantém contactos institucionais permanentes com a quase totalidade das profissões religiosas praticadas em Portugal, incluindo, obviamente, a Religião Católica, matriz da formação espiritual da maioria dos nossos Irmãos.

Quais são, de facto, as relações da Maçonaria Regular com a Igreja Católica?

Correndo o risco de eventualmente me repetir, indico que da parte da Maçonaria Regular, são as mesmas que ela mantém com todas as Instituições relevantes para o Homem ou para a Sociedade, isto é, absoluto respeito pela sua autonomia e pela disponibilidade de muitos dos nossos irmãos para cooperações individuais concretas em acções em prol de quem necessita de ajuda ou úteis para a Sociedade em que nos inserimos. Muitos irmãos nossos participam gratuita e discretamente em diversas associações de beneficência espalhadas do norte ao sul do país e fazem-no discretamente, por vontade própria e porque tal lhes é imposto nos nossos Rituais. Cito palavras textuais recolhidas do Ritual do Grau de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceite: os actos de beneficência de um maçom nunca devem ser de ostentação. Para nós, a beneficência é apenas o cumprimento de um dever. A Maçonaria Regular procura, em primeiro lugar e como objectivo principal, contribuir para o aperfeiçoamento pessoal, moral e espiritual dos seus membros. Não busca, enquanto organização, intervir activamente na Sociedade, esperando que a melhoria resulte do contributo que cada Irmão dê à Comunidade em que se insere. Nessa medida, é só indirectamente, através do melhoramento pessoal dos seus Irmãos, que resulta uma intervenção na Sociedade. A Maçonaria Regular não é uma religião, não prega a salvação. Todos os seus membros devem crer num Criador, mas cada um professa a religião e segue o caminho que entende ser-lhe mais adequado. O trabalho de aperfeiçoamento individual propiciado pela Maçonaria Regular, quando bem sucedido, resulta também num melhor crente, num praticante mais convicto da sua religião. Assim, um maçom regular que professe a religião católica provavelmente será cada vez mais um católico melhor. E o mesmo deverá suceder com todos aqueles que professam qualquer outra religião e com aqueles que são crentes mas não se enquadram em nenhuma religião institucionalizada. Portanto, da parte da Maçonaria Regular a relação com a Igreja Católica, tal como com as estruturas agregadoras das demais confissões religiosas, pauta-se pela total consideração e respeito pelo múnus prosseguido pela instituição religiosa, salvaguardando-se a independência mútua das respectivas organizações e os diferentes e inconfundíveis campos de actuação de cada uma.

E quanto a possíveis excomunhões de Maçons?

O Código do Direito Canónico já não explicita que a condição de Maçon acarreta imediatamente a sua excomunhão, não se seguindo, porém, que ele possa considerar-se em estado de graça.

A Igreja Católica é uma Instituição inteligentíssima e a Maçonaria Regular tem todo o tempo do mundo. A Maçonaria Regular advoga a união dos Homens e respeita as opiniões dos outros mesmo quando lhe são adversas. A Maçonaria Regular é uma instituição cheia de esperança que não se preocupa se é ou não utópica na sua forma de encarar o mundo que a rodeia. Pessoalmente continuo a preferir ser utópico a baixar os braços e deixar de acreditar na possibilidade que a Maçonaria Regular tem de contribuir para a melhoria da forma como o Homem vive em Sociedade. Considero-me católico. Muitos provavelmente dirão mau católico.

Sei que na vida da minha Grande Loja, a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, não se praticam actos que colidam com o princípio do maior respeito por todas as Religiões; a Regularidade proíbe-nos de discutir assuntos respeitantes a Religião ou Política nas nossas Lojas; e recusamo-nos a hostilizar seja quem for. Temos tempo, muito tempo, e como utópico que sou, ainda espero caminhar, um dia, na estrada brilhante em que cedo ou tarde se encontram todos os homens que tentaram ser bons.

Porquê o Segredo na Maçonaria? Fazem ou planeiam coisas ilegais?

Não, a Maçonaria Regular não faz nem planeia coisas ilegais! Pelo contrário, o décimo Landmark (Regra fundamental da Maçonaria Regular) prescreve, de forma clara e inderrogável que: Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor à Pátria, a submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas. Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano e honram-no sob todas as formas. A submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas são inerentes e essenciais à Maçonaria Regular, pelo que a prática ou o planeamento de acções ilegais, quaisquer que elas fossem, corresponderia à negação da própria Maçonaria Regular. Um maçom tem plena liberdade de divulgar esta sua qualidade, não está, porém, autorizado a divulgar o nome de um seu irmão. Nas sociedades democraticamente mais evoluídas os maçons não têm qualquer dúvida em manifestar a sua qualidade de maçom; porém, nas sociedades que ainda não respiram com naturalidade a Democracia, o conhecimento da qualidade de maçom.

Maçonaria é anti-patriótica?

Pelo contrário! A Maçonaria Regular é patriótica! O Maçom Regular deve ser patriota e amar a sua Pátria. O Maçom Regular respeita as leis em vigor no seu País ou as do país onde se encontre. O Maçom Regular respeita a Legalidade Democrática e, portanto, as autoridades que a exercem. A Maçonaria Regular integra-se, pois, perfeitamente na Sociedade Democrática e só pode livremente funcionar em Democracia. A Maçonaria Regular não patrocina, nem prepara, nem apoia revoluções ou conspirações. A Maçonaria Regular não tem intervenção política. A Maçonaria Regular é uma organização patriótica, democrática, pacifista e respeitadora da Legalidade. O mesmo exige aos seus membros. Em resumo, os seus irmãos respeitam e cooperam com as Instituições Democráticas do País, não as combatem. A Maçonaria Regular aspira à melhoria da Sociedade através da melhoria dos seus membros e do exemplo por eles transmitido, não fomenta “saltos mortais da História”, isto é, não decreta, prevê, aprova ou favorece pretensas melhorias voluntaristas através de alterações políticas de qualquer índole. Cada Maçom Regular professa as ideias políticas que entende, dentro do respeito da Pátria, da Democracia e da Legalidade. Para que os seus membros interiorizem bem estes princípios e tenham sempre em mente a sua inequívoca aplicação, na Grande Loja Legal de Portugal/ GLRP, em todas as reuniões de Loja presta-se homenagem aos símbolos nacionais: está sempre presente em lugar de destaque a Bandeira Nacional e, no início de cada reunião, todos os presentes entoam, respeitosamente, o Hino Nacional.

A Maçonaria é a favor de uma oligarquia?

Não! Pelo contrário, e como postula o Quarto Landmark (Regra fundamental da Maçonaria Regular): A Maçonaria visa ainda, pelo aperfeiçoamento moral dos seus membros, o da humanidade inteira. A Maçonaria Regular é um meio, um instrumento, um ambiente, um método, de aperfeiçoamento individual, que não se esgota no narcisismo da individualidade, antes tem como objectivo a contribuição de cada um para o aperfeiçoamento da Humanidade inteira. Sobretudo, a Maçonaria Regular postula que cada um é responsável por si mesmo e, portanto, em primeiro lugar tem de se melhorar a si próprio. Em Maçonaria Regular não se faz como São Tomás, faz como ele diz, não como ele faz. Em Maçonaria Regular cada um procura ser exemplo pelas suas acções, não pelas suas palavras. E cada um, de nós, melhorado, deve, por seu turno, ajudar a melhorar os que estão à sua volta, que, por sua vez, ajudarão os queos rodeiam e assim sucessivamente, de forma que toda a Humanidade melhore um pouco, um pouqui-nho que seja. Em Maçonaria Regular, não se clama nem apregoa a Grande Mudança, o Fantástico Progresso, o Enorme Salto em Frente da Humanidade. Em Maçonaria Regular, aprende-se e pratica-se que é pelas pequenas coisas, pelo ínfimo progresso, pelo avançar seguro de cada um que “o Mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”, como escreveu António Gedeão na sua Pedra Filosofal. A Maçonaria Regular defende o Indivíduo em Comunidade, contribuindo para a Sociedade e o progresso da Humanidade! Porque é o indivíduo melhorado que contribui para a melhoria da Comunidade em que se insere, a qual, por sua vez, fará avançar a Sociedade que forma com as demais comunidades, consistindo no avanço das várias Sociedades o Progresso da Humanidade. E isto é o contrário de se defender uma oligarquia! Isto é o primado do Indivíduo em prol da Humanidade!

Querem os Maçons destruir os valores tradicionais da família, Pátria e Deus?

Os Maçons Regulares não só não querem destruir a crença em Deus, como toda a sua ética e todo o seu sistema de valores assentam na crença no Criador, em Deus, Grande Arquitecto do Universo. Isso mesmo é declarado logo no Primeiro Landmark (Regra fundamental da Maçonaria Regular):

A Maçonaria é uma fraternidade iniciática que tem por fundamento tradicional a fé em Deus, Grande Arquitecto do Universo.

O que a Maçonaria Regular faz é excluir toda e qualquer espécie de fanatismo, de exclusão, de combate religioso. A Maçonaria Regular venera o Criador, refere-se-lhe como o Grande Arquitecto do Universo, mas deixa a cada indivíduo a concepção individual de como é e como se relaciona com a Humanidade esse Criador. Essa é matéria da consciência individual de cada um. Essa é matéria reservada às concepções expressas pelas várias religiões. E, para a Maçonaria Regular, todas as religiões são igualmente dignas de consideração e respeito.

A Maçonaria Regular frisa o que deve unir os homens — a crença no Criador — e abstrai-se do que, muitas vezes, e ingloriamente, os separa: as dissensões religiosas.

A Maçonaria Regular não é contra nenhuma religião. A Maçonaria Regular é a favor de todas as religiões. Simplesmente não privilegia nenhuma. A todas respeita igualmente. Todas as hierarquias religiosas lhe merecem consideração. Porque todas as religiões são importantes para quem as pratica. E todas as hierarquias religiosas são consideradas por todos os que delas recolhem ensinamentos e apoio espiritual. Para a Maçonaria Regular, o respeito absoluto por todas as religiões e hierarquias religiosas é, afinal, o indispensável respeito pelo Homem, por todos os homens e mulheres e suas opções, crenças e sistemas de valores individuais.

A crença no Criador é comum e está acima de todas as diferenças com que os homens, por suas tradições, culturas e idiossincrasias, revestem essa crença. Por isso a Maçonaria Regular nem sequer questiona, ou acolhe, ou rejeita, a designação que cada um dá ao Criador e optou por o designar através de uma ex-pressão que crê susceptível de ser aceite por todos: Grande Arquitecto do Universo.

A Maçonaria não pretende destruir o valor tradicional de Deus; pelo contrário, exalta-o e eleva-o acima de todas as querelas e dissensões religiosas. Também o valor da Pátria não só não é objecto de destruição como, pelo contrário, é também cultivado expressamente pela Maçonaria Regular.

A esse respeito, deve ter-se em atenção o que postula outro princípio essencial da Maçonaria Regular, o Décimo Landmark (Regra fundamental da Maçonaria Regular):

Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor à Pátria, a submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas. Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano e honram-no sob todas as formas.

Disse já que como símbolo da importância que a Maçonaria Regular Portuguesa confere ao valor da Pátria, todas as reuniões de todas as Lojas e da própria Grande Loja se iniciam com todos os presentes entoando o Hino Nacional. Finalmente, a Maçonaria Regular preza, defende e proclama a Família como valor tradicional básico e insubstituível da organização da comunidade e exorta todos os seus membros a defenderem e preservarem as suas famílias, com prioridade mesmo em relação à Maçonaria.

Os homens livres e de bons costumes de que fala o Terceiro Landmark, os homens de perfeita reputação, gente de honra, leais e discretos, que o Nono Landmark menciona, os homens de comportamento são, viril e digno referidos no Undécimo Landmark só podem possuir essas qualidades se preservarem e defenderem o valor da Família, em abstracto, e das suas famílias, em concreto, com absoluta determinação. Deus, Pátria e Família, não são a divisa de nenhuma ideologia política, não são valores conservadores, nem modernos, ultrapassados ou na moda. São valores imanentes a todo o Homem Digno, que desde sempre a Humanidade respeitou. São valores perenes. A Maçonaria Regular respeita-os e promove-os, vindos que são do Passado, praticados que devem ser no Presente, transmitidos que serão para o Futuro. O Homem não pode melhorar-se a si próprio se não respeitar esses valores. A Sociedade não se aperfeiçoará sem a defesa dos mesmos.

Como é que lidam com situações em que um dos vossos Maçons não tenha um comportamento cívico correcto?

Vou primeiro reportar-me à nossa forma de recrutamento, basicamente por conhecimento pessoal, facto que, de uma certa forma, limita as possibilidades de erro e que, completado com inquéritos apropriados efectuados por Irmãos não directamente envolvidos no recrutamento, limita ainda mais essa possibilidade.

Ajuda-nos, também, o facto de não termos qualquer pressa em recrutar novos membros para a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP. Desta forma as admissões só têm lugar após reflexão amadurecida. Não existimos para ser os maiores ou os melhores, não existimos para servir como veículos para alcançar o Poder, não existimos para mostrar à Sociedade como os nossos Maçons Regulares são bons ou caritativos. Existimos sim, para melhorar as qualidades morais e cívicas dos nossos Obreiros e tentamos só recrutar homens de carácter.

É a esta tarefa que nos dedicamos de alma e coração. Obviamente, porém, como qualquer Organização cuja matéria-prima principal é o Homem, também erramos.

Quando tal acontece, não nos regulamos por julgamentos feitos na praça pública. Tão pouco somos juízes ou polícias. Limitamo-nos a seguir os nossos Regulamentos que, entre outras normas, estipulam que um Irmão pronunciado num processo-crime não deverá exercer quaisquer cargos na Grande Loja, sendo-lhe aplicada a pena de expulsão se tiver sido condenado definitivamente em Tribunal Judicial.

Pode dizer-nos algo sobre a vossa metodologia prática?

Na Maçonaria Regular, a Dialéctica funciona mais no sentido de Arte do Raciocínio do que na da Arte da Argumentação ou Discussão.

Não pretendemos discutir, dividir. A discussão divide. A missão da Maçonaria Regular é a de agregar, caminhar em conjunto, reunir o que anda disperso. Exemplifico:

Nas diversas Lojas de que fui Venerável Mestre todos os Mestres Maçons, tiveram, em relação a cada assunto tratado, o direito de intervir, mas uma só vez. Sabiam, também, que teriam de intervir.

O conhecimento prévio da possibilidade obrigatória de uma só intervenção leva o interveniente a meditar mais cuidadosamente na qualidade e oportunidade da mesma. Tendencialmente a audiência fica também bastante mais atenta.

Costumo dizer aos meus Irmãos que daquilo que eu digo aproveitarão tudo, alguma coisa ou nada; em paralelo, que daquilo que dizem eu aproveitarei também tudo, alguma coisa ou nada.

Nos limites dos ditames da nossa inteligência, consciência e coração, somos nós próprios que vamos calmamente ajustando, ou não, os nossos pontos de vista de acordo com a validade que reconhecemos na opinião dos outros.

Para que isto aconteça partimos do princípio de não ter-mos a exclusividade da razão e da verdade e que a razão e a verdade dos outros pode ser tão boa ou melhor do que a nossa, ficando assim todos mais abertos e motiva ( para os nossos percursos individuais em direcção à L Na Maçonaria Regular não privilegiamos missionários seja todos os que pensem ser donos exclusivos verdade e que, sabemos de prática já sofrida, querem impô-la aos outros. Pelo contrário é na ma liberdade de coração, de consciência e de razão e percorremos juntos os nossos caminhos individuais sempre no estrito respeito pela opinião dos outros.

Resumindo:

Na Maçonaria Regular o Maçom aprende que, no caminho para a Luz, as verdades dos outros irão, não, destilando para a sua e que a sua irá também destilando, ou não, para a dos outros. E é por esta que nos melhoramos.

Obviamente, que a Maçonaria Regular, cujo maior inimigo é a IGNORÂNCIA, não aceita EXTREMISMOS ou FANATISMOS de qualquer natureza.

A Grande Loja tem tido algumas acções em Países de expressão portuguesa, nomeadamente em África?

Sim, temos vindo a criar condições para que as Maçonarias Regulares em Países Africanos de Expressão Portuguesa funcionem sem quaisquer dependências filosóficas ou de índole económica de outras Maçonarias mais antigas.

Consideramos ser nossa missão abrir todas as portas da Maçonaria Regular Mundial às Maçonarias Africanas de Expressão Portuguesa. Temos a experiência que, quanto mais portas abrimos, mais juntos ficamos. No entanto, a nossa tarefa não é fácil pois existem forças internacionais poderosas que tentam utilizar, abusivamente, o nome da maçonaria para promoverem novas formas de colonialismo.

Os maçons regulares portugueses são profundamente contrários a todas as formas de neo-colonialismos, visíveis ou disfarçados e, por isso, após consagrarmos uma Grande Loja Africana passamos a ser seus companheiros de viagem somente pelo tempo e medida exactos em que formos desejados, e não mais do que isso.

Conseguimos fazê-lo com sucesso em relação a Moçambique onde consagrámos a Grande Loja de Moçambique e instalámos o seu Muito Respeitável Grão Mestre, em I I de Julho de 2009, tendo participado nas Cerimónias, a nosso convite, Grão Mestres e Grandes Oficiais da Costa do Marfim, do Gabão, das Maurícias, da África do Sul, da Reunião (em representação da G.L.N.F-Grande Loge Nationale Française), do Brasil, dos Estados Unidos da América e da Rússia.

A Grande Loja de Moçambique foi, em termos maçónicos, quase que imediatamente reconhecida como Regular por muitas Potências Regulares Maçónicas, por exemplo, pelos EUA, França, Rússia, África do Sul, Gabão, Costa do Marfim, Maurícias, Grande Oriente do Brasil e outras, com as quais já estabeleceu tratados de Reconhecimento.

Os juramentos da Consagração e Instalação foram feitos sobre três Livros da Lei Sagrada: Corão, Tora e Bíblia porque a Grande Loja de Moçambique agrega Irmãos muçulmanos, judeus, católicos e evangélicos. Nas suas Lojas trabalham Irmãos de todas as cores, filiados ou não no leque de partidos políticos existentes no País. Chamo mais uma vez a atenção para o facto de que na Maçonaria que promovemos em África – a Maçonaria Regular – não são permitidas discussões políticas ou religiosas.

Tranquilizem-se, portanto, líderes políticos e religiosos. Tudo o que a Maçonaria Regular já fez, pretende e tenta fazer nos Países Africanos de Expressão Portuguesa é ajudar a melhorar a qualidade dos seus Irmãos para que também melhor possam cumprir os seus deveres de cidadãos para com a Sociedade.

Que tipo de relações têm com outras Instituições Maçónicas em Portugal?

Institucionalmente não temos relações, por tal nos ser vedado pelas regras que mundialmente regem todas as Grandes Lojas Maçónicas Regulares.

Pessoalmente as nossas relações são muitos cordiais. Tenho o maior respeito pela Dra. Feliciana Ferreira, Grã-Mestre da Grande Loja Feminina de Portugal assim como pelo Dr. António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e pelos seus antecessores Coronel Eugénio de Oliveira, meu amigo de infância e Dr. António Arnaut, que fez o favor de prefaciar o meu primeiro livro de poesia, grandes humanistas e democratas que me habituei a admirar desde há muitos anos, devido às suas acções sistemáticas em prol do nosso País, chegando até ao ponto de porem em risco a sua própria liberdade.

Consideramos que existe em Portugal espaço para todos, e pensamos que serão pueris e votadas ao insucesso todas as tentativas dos anti-maçons, infiltrados ou não nas nossas Organizações, tendentes a criarem atritos que minem o princípio de uma co-habitação harmoniosa.

Há espaço para organizações tendencialmente mais reflexivas e dedicadas quase exclusivamente à melhoria do Homem que vai intervir na Sociedade e há espaço para organizações tendencialmente mais interventivas e com acções mais directas nos assuntos das Sociedades em que se inserem.

Tenho por experiência que o tempo Maçónico é, por tendência, mais lento do que o tempo comum. Nós, Maçons Regulares, sabemos, por experiência sofrida, que, em regra, na nossa Maçonaria, tudo o que é feito com pressa não resulta e que tudo o que é feito à pressa cedo ou tarde transforma-se em catástrofe. Desde há quatro anos, têm vindo a ser intensificados encontros informais, que consideramos muito positivos.

Há alguma característica que queira realçar na Maçonaria Regular?

Na fase que hoje atravessa a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, aliás como em todas as Maçonarias Regulares existentes em países democraticamente mais evoluídos, sublinhamos os papéis da Sabedoria, da Força e da Beleza como principais instrumentos para a construção do Homem Melhorado, para o qual Igualdade, Liberdade e Fraternidade são interiorizações já completamente absorvidas.

Durante os nossos percursos maçónicos regulares habituamo-nos, através dos nossos Rituais, a fazer conviver naturalmente estes últimos valores dentro de nós, ou por outras palavras, em determinado momento, eles passam a ser coisas adquiridas, naturais, entranhadas visceralmente nas nossas consciências e nos nossos corações de homens que vivendo em democracia não têm necessidade de perpetuar lutas passadas.

E é por isto que no coração do Maçom Regular, Igualdade, Liberdade e Fraternidade são meios para atingir o fim ainda mais nobre da União entre os Homens independentemente da sua origem, cor, religião ou filiação política ou, se quisermos empregar linguagem maçónica, encontrar o Equilíbrio e Reunir Tudo o que anda Disperso.

Na Grande Loja Legal de Portugal/GLRP praticamos cinco Ritos (Escolas de Ensinamento do Caminho para a Luz): Rito Escocês Antigo e Aceite, Rito Escocês Rectificado, Rito de York, Rito de Emulação e Rito Adonhirannita. Todos os seus Rituais conduzem à Convergência e à Fidelidade, não à Luta.

Tanto quanto me lembro, é somente num deles que se realça a palavra Luta num juramento de Luta contra a Tirania.

Acontece que para um Maçom Regular a maior das Tiranias, a tirania das tiranias, é a Ignorância. Contra essa, sim, lutamos.

Relações com congéneres estrangeiras?

As melhores e num pé de completa e perfeita igualdade. Não nos interessa a dimensão de uma Grande Loja, interessa-nos, sim, a paz em que vive e o que representa em termos de tradição, defesa e garantia dos valores maçónicos originais.

Referências maiores são para nós a UGLE — United Grand Lodge of England, as Grandes Lojas dos USA. e a GLNF — Grande Loge Nationale Française, de onde partimos.

Diz-nos a experiência que em relação à UGLE mesmo aqueles que a criticam não querem viver sem o seu Reconhecimento, ou, então, estão desejosos de obtê-lo, criticando-a somente por ainda não o terem conseguido.

Em cada país ou área geográfica principal bem definida só pode existir uma Potência Maçónica Regular. Reconhecimento é o mecanismo pelo qual uma Potência Maçónica Regular aceita que num determinado país ou numa determinada área geográfica bem determinada, uma Grande Loja seja a única que reúne as condições necessárias à Regularidade, ou utilizando uma expressão maçónica internacional,” to meet the Standards for Recognition“.

O mundo Maçónico Regular utiliza também o sistema de Conferências como meio para facilitar contactos, melhorar relações e pôr em comum as experiências das diversas Grande Lojas da Maçonaria Regular. Habitualmente, estas Conferências obedecem a critérios que têm a ver com a sua distribuição por áreas geográficas.

A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP tem assento em todas as Conferências que podem geograficamente dizer-lhe directamente respeito, nomeadamente na Conferência Europeia das Grande Lojas Regulares, na Conferência Mundial das Grandes Lojas Regulares e, muito em defesa da língua portuguesa, na CMI – Confederação Maçónica Inter-Americana, que compreende a maioria das Grandes Lojas Regulares da América Latina. Como Instituição patriótica que somos, evitamos, porém, todas as associações ou joint ventures que tentem transformar a Maçonaria Regular Portuguesa numa pequena província afastada e sem força de Maçonarias do tipo Mercado Comum Maçónico Europeu ou de qualquer outro de tipo semelhante em que possam perder-se ou diluir-se as características inerentes à nossa condição de Maçons Regulares Portugueses.

A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP quantos maçons tem?

Somos actualmente cerca de 1.300, distribuídos por cerca de 70 Lojas espalhadas praticamente por todo o país.

Vou, talvez, repetir-me, mas acho conveniente fazê-lo. O nosso recrutamento é deliberadamente lento, não procuramos ser os maiores, nem apregoamos sermos os melhores, limitamo-nos a ser uma Instituição que se esforça para melhorar o Homem de tal forma que ele, melhorando-se (o que designamos por melhorar os nossos Templos Interiores), possa cumprir melhor as suas obrigações para com a Sociedade.

As nossas Lojas têm indicações para serem muito exigentes no que respeita a Iniciações (admissões). Pretendemos ter uma matéria-prima de Homens Bons com espaço ainda para serem melhorados. É-nos impossível pegar num homem mau e transformá-lo num homem bom, por isso, nos nossos recrutamentos preocupamo-nos muito mais com dimensões morais do que com dimensões sociais incluindo nestas as dimensões políticas.

Sabemos, também, que existem muitos que querem entrar para a nossa Ordem com intenção de dela se aproveitarem para obtenção de benesses sociais ou políticas, ou como seguro para males cometidos, e isso não queremos.

O nosso recrutamento é feito por medida. Se recrutássemos todos os que nos procuram não poderíamos corresponder com a formação Ritual adequada e imprescindível à nossa União e rapidamente nos transformaríamos numa manta de retalhos que alguns tentariam aproveitar para a constituição de lobbies mais ou menos disfarçados a funcionarem sob a capa honrada da Maçonaria Regular, e isso também não queremos.

Os contactos que mantemos há muito tempo com as Maçonarias Regulares Mundiais e não só, fazem-nos conhecerem relativamente bem as histórias de algumas Instituições do universo maçónico cujas vidas têm sido verdadeiramente decepcionantes: iniciações em catadupa, Lojas feitas sem terem condições mínimas para serem constituídas, lutas fratricidas dentro de Lojas originando novas Lojas, lutas entre Lojas, ou mesmo lutas entre instituições maçónicas cujo objectivo deveria ser completarem-se com vista a um maior aperfeiçoamento do ser humano.

O diagnóstico é sistematicamente o mesmo: recrutamentos feitos à pressa, sem cuidado, cujas facturas só serão pagas alguns anos após terem sido feitos.

Não é este o nosso caminho, procuramos sempre que as nossas Lojas sejam criadas no consenso completo dos Irmãos das Lojas que as originam, como disse, não temos pressa, não contabilizamos crescimentos, a taxa de crescimento não faz parte do leque das medidas que nos indicam se os nossos passos se aproximam ou não da via que leva à realização dos nossos ideais Maçónicos.

Não, não recrutamos sempre bem e enganamo-nos mais vezes do que gostaríamos, o que nos está a acontecer é que detectamos mais cedo do que anteriormente os erros cometidos.

Acontece, também, que aqueles que nos procuraram e que verificam encontrarem-se no local errado também nos abandonam mais cedo, ou por outras palavras, a consistência actual da estrutura quase que os obriga a desistirem.

As nossas portas estão escancaradas para quem queira sair, são estreitas para quem queira entrar e estreitíssimas para quem queira reentrar e saiu por motivo fútil.

Quais são as vossas relações com a Comunicação Social?

Se atendermos ao facto de que a Maçonaria Regular não faz de si publicidade e que só fala quando tem alguma coisa substancial para dizer, consideramos que as nossas relações com a Comunicação Social são boas, normais.

Em pouco mais de três anos já demos duas entrevistas, uma pelo nosso Vice-Grão- Mestre Júlio Merinhos, entrevistado por Ana Fragoso para o Jornal do Nordeste e outra, minha, entrevistado por Ana Paula Azevedo e por Catarina Guerreiro para A Revista do Semanário Sol.

Dada a excelente qualidade profissional e isenção de quem nos entrevistou e, obviamente, dos directores destes órgãos da Comunicação Social, tanto no caso do nosso Vice Grão-Mestre Júlio Meirinhos como no meu, foram experiências que consideramos excelentes. Por exemplo, no que me respeita, tendo respondido a perguntas durante aproximadamente uma hora e meia, as duas jornalistas conseguiram resumir todo o material obtido de tal forma que a sua versão reproduziu com fidelidade tudo o que foi dito e, sobretudo, o que foi dito com o espírito exacto de que foi dito. Consideramos que a Comunicação Social é um dos pilares principais da nossa Democracia.

Como a Democracia enche os nossos corações de Maçons Regulares achamos válidas e respeitáveis algumas opiniões às vezes veiculadas pela Comunicação Social que são diferentes das nossas, tomem elas a forma de análises ou de notícias falsas ou verdadeiras. Como Maçons Regulares, que somos, recusamo-nos a acreditar que uma profissão tão nobre e respeitável como a de Jornalista, contenha no seu seio pessoas que não a exerçam com o maior rigor, isenção e profissionalismo.

Por outro lado, conhecendo os nossos Irmãos exactamente o que se passa dentro da nossa casa, parece paradoxal dizer, mas não é, que um dos factores que mais nos tem ajudado internamente a agregar é o das notícias que uma ou outra vez são publicadas, eventualmente menos verdadeiras, ou que deixam para trás toda uma verdade conjunturalmente positiva só realçando aspectos negativos mínimos.

Resumindo, as notícias boas ou más que vão saindo na Comunicação Social a nosso respeito têm contribuído sempre para nos aperfeiçoarmos e consolidarmos. Quero, por isso, utilizar esta oportunidade para agradecer a toda a Comunicação Social a forma como nos tem estimulado e, dentro da limitação que a nós próprios impomos de só comunicar exteriormente quando realmente temos alguma coisa útil e substancial para dizer aos nossos concidadãos e, ainda ao facto de fazê-lo só nos tempos que pensamos serem os mais adequados, acho que posso repetir que as nossas relações com a Comunicação Social são boas, normais. Respeitamo-la, na certeza de que, quando nada de substancial temos para transmitir aos nossos concidadãos, não é ética, nem civicamente correcto tentar utilizar a Comunicação Social para nossa publicitação gratuita.

Entrevista concedida por Mario Martin Guia ao sitio da GLLP/GLRP em data não identificada, mas que pela pertinência, decidimos reproduzir.

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