Solestício de Inverno

Ontem foi o Solstício de Inverno. É o dia mais curto do ano, e a noite mais longa. Até aqui os dias foram progressivamente encurtando, cada um com menos luz do que o seu predecessor. A partir de hoje, porém, cada dia será, progressivamente, um pouco mais luminoso que a sua véspera – até ao solstício de Verão, dia mais longo do ano, e noite mais curta. Chegados aí, os dias passarão a ser progressivamente mais curtos, até que, de novo, chegue o solstício de Inverno.

Este ciclo solar – a repetição das estações – não passou despercebido aos nossos antepassados, e o passar das eras carregou-o de simbolismo. O Homem, divinizando as forças da natureza – e o Sol em particular – interpretava como podia esta alternância entre luz e escuridão, entre abundância e escassez, entre vida e morte.

As antigas feiticeiras – ervanárias, na verdade – atribuiam nomes fantásticos, como asas de morcego ou dentes de dragão, às ervas que usavam nas suas poções. Com essas identidades eram urdidas elaboradas histórias que mais não eram do que mnemónicas das receitas dos medicamentos da época.

De modo semelhante, a maçonaria inspirou-se em muita da mitologia existente na época, socorrendo-se dos símbolos para se referir a princípios, normas ou sentimentos, embrulhando-os em histórias mais ou menos elaboradas que servem de mnemónica da lição moral que se pretende transmitir.

O racionalismo iluminista chega-nos, assim, travestido numa aparência de fantástico e sobrenatural, numa linguagem arcaica e rebuscada que compete a cada um desvelar ao seu modo. Ao contar histórias abertas a interpretações, a maçonaria transmite os princípios sem violar a liberdade de cada um, e exige algum esforço individual na busca da Luz. As oportunidades e matizes de interpretação são inúmeros; cabe a cada um decidir o que quer fazer do que é colocado à sua disposição, e de como o incorporar – ou não – na sua vida.

Paulo M.

Publicado no Blog “A partir pedra”

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