A dó dos Estados Unidos e as teorias da conspiração (II)

one_dollar_billNo verso da nota de um dólar dos Estados Unidos figuram duas imagens, uma com uma pirâmide inacabada e o “olho que tudo vê” e a outra com a “águia americana”. Particularmente a primeira das duas imagens é apontada pelos teóricos da conspiração como a demonstração da cabala maçónica, que logrou introduzir dois dos seus símbolos na nota de dólar – sem que se perceba bem o que é que se ganharia com isso (mas isso nunca fez hesitar um teórico da conspiração que se preze…).

Pois bem: estas duas imagens foram introduzidas, em 1935, na presidência de Franklin D. Roosevelt, pela simples, evidente e clara razão de que… são o verso e o reverso do Grande Selo dos Estados Unidos!

Ah! – gritam triunfantemente os teóricos da conspiração -, então a conspiração maçónica vem de trás e é muito mais grave. Conseguiram colocar símbolos maçónicos no símbolo por excelência da República americana!

Não é minha preocupação vir agora com os factos perturbar as teorias com que se entretêm aqueles senhores mas… os factos são os que seguidamente apresento.

O Grande Selo dos Estados Unidos é usado para autenticar documentos emitidos pelo Governo Federal dos EUA. Esta designação aplica-se não só ao artefacto físico utilizado para essa autenticação, como para designar as imagens que constam do seu verso e reverso. Foi publicamente usado pela primeira vez em 1782.

No verso, está o brasão de armas americano (a águia segurando 13 flechas – figurando os 13 Estados originais da União – e um ramo de oliveira com 13 folhas e 13 azeitonas – de novo em representação dos 13 Estados originais -, a divisa E pluribus unum (com 13 letras), que significa “De Muitos, Um” – também utilizada por um popular clube desportivo português, ó teóricos da conspiração! Aproveitai para elaborar mais uma teoriazinha… -, no peito da águia um escudo com 13 – de novo – faixas verticais e sobre a sua cabeça uma glória com 13 – sempre! – estrelas).

O reverso tem a pirâmide (de 13 degraus, de novo simbolizando os 13 Estados originais) inacabada, encimada pelo “olho que tudo vê”. tendo inscrita na sua base, em carateres romanos, a data 1776 (data da Independência dos EUA) e as inscrições Annuit Coeptis (13 letras…), que significa “Ele Aprova O Nosso Empreendimento” e Novus ordo seclorum, “Nova Ordem Dos Séculos”.

O simbolismo do Grande Selo dos Estados Unidos é, assim, dominado, pelo número 13 (que nenhum significado particular tem em Maçonaria), em referência, repetida, às 13 colónias que declararam a Independência. A própria pirâmide inacabada tem 13 degraus e é inacabada porque os 13 Estados originais estavam abertos a que outros se lhes juntassem.

O “olho que tudo vê”, também designado por “Olho da Providência” é uma evidente representação de Deus, como sem dúvida alguma resulta da legenda que o rodeia (Ele – Deus, obviamente – aprova o nosso empreendimento – de declarar a independência).

Note-se que o “olho que tudo vê” está inserido no interior de um triângulo, representação cristã do símbolo, em alusão à Santíssima Trindade. Esta representação cristã simbolizando o Criador está presente, por exemplo, na catedral de Aachen, na Alemanha, a mais antiga catedral do norte da Europa, cuja construção se iniciou por volta de 790, no reinado de Carlos Magno, que nela está sepultado – muito antes de haver Maçonaria…

O simbolismo do verso do selo foi oficialmente apresentado por Charles Thomson perante o Congresso dos Estados Unidos, aquando da apresentação do projeto final do Grande Selo para aprovação por aquele órgão do Poder Legislativo americano (no século XVIII, note-se…), da seguinte forma (tradução livre minha):

A pirâmide significa Força e Perenidade. O Olho sobre ela e a divisa aludem aos muitos sinais da Providência em favor da causa americana. A data na parte de baixo é a da Declaração da Independência e as palavras por baixo significam o princípio da Nova Era Americana, que se iniciou naquela data.

Factos são factos. Calculo que, por muito perturbadores que sejam para as teorias dos teóricos da conspiração, não será por isso que as vão abandonar e vão deixar de insistir que os símbolos da nota de um dólar e do Grande Selo dos Estados Unidos são maçónicos, porque os maçons (melhor dizendo: os maçons de um determinado rito, nem sequer presente nos Estados Unidos, e os maçons, dizem eles – e, se o dizem, passa, segundo eles, a ser verdade… – também usam uma pirâmide como símbolo (e a questão de a pirâmide do selo ter 13 degraus, como os Estados originais e ser inacabada, em alusão à aceitação de mais Estados que se juntassem à União – e agora são cinquenta… – é um mero detalhe que não impede a insistência na tese da cabala maçónica…) e o “olho que tudo vê ” é, só pode ser, e “toda a gente” o reconhece como símbolo maçónico, apesar de ser uma secular representação do Criador (desde o tempo dos egípcios, então sob a forma do “olho de Hórus”), especificamente cristã quando inserido num triângulo (simbolizando a Santíssima Trindade) e mostrar-se presente, por exemplo, numa antiquíssima Catedral, construída quando não havia Maçonaria.

Mas factos são factos. E, para que não restem dúvidas (senão as “certezas” dos teóricos da conspiração), ainda dedicarei um terceiro texto ao processo de criação do Grande Selo dos Estados Unidos. Assim se verá se este processo foi público e transparente ou encoberto e conspirativo, como juram os ditos teóricos…

As informações do texto de hoje foram recolhidas nos seguintes artigos da Wikipedia:

Tudo locais de muito difícil acesso e de evidente controlo maçónico, como se vê…

In Blog “A Partir Pedra” – Texto de Rui Bandeira (22.07.2010)

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