As melhores sementes

Um agricultor, homem de poucos estudos, todos os anos participava na Feira de Agricultura da cidade mais próxima da sua exploração apresentando a concurso exemplares da sua colheita de milho e todos os anos ganhava o troféu do Milho do ano. O seu milho, ano após ano, era cada vez melhor.

Certa vez, após a cerimónia de recepção do prémio, foi entrevistado por um repórter do jornal local, que, tendo perguntado sobre a forma como ele costumava cultivar o seu valioso e qualificado milho, ficou muito intrigado com a revelação do agricultor de que ele partilhava boa parte das suas melhores sementes com os seus vizinhos.

– Porque é que senhor partilha com os seus vizinhos as suas melhores sementes, quando eles competem directamente consigo?

O agricultor, homem de poucos estudos, respondeu-lhe:

– Porquê? É simples: o vento apanha o pólen do milho maduro e leva-o de campo para campo. Se os meus vizinhos cultivarem milho de qualidade inferior à do meu, a polinização degradará gradualmente a qualidade do meu milho. Logo, para eu conseguir obter sempre milho da melhor qualidade, tenho que ajudar os meus vizinhos a cultivar também milho da melhor qualidade, cedendo-lhes parte das minhas melhores sementes.

O agricultor era homem de poucos estudos, mas de muita Sabedoria!

Quem quiser viver em Paz, deve procurar que seus vizinhos também vivam em Paz.

Quem quiser viver bem, deve ajudar os outros, para que também vivam bem.

Quem quiser ser feliz, deve ajudar os outros a encontrar também a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos. Todos nós dependemos uns dos outros e, portanto, todos nós somos importantes uns para os outros, para que todos e cada um possamos viver bem.

Que cada um de nós ajude os seus próximos a cultivar cada vez mais as melhores sementes, os melhores milhos, as melhores amizades!

Que cada um, para lidar consigo mesmo, use a cabeça e, para lidar com os outros, use o coração!

(Adaptação minha de um texto de Karl Rahner)

Rui Bandeira
Publicado no Blog “A partir pedra” em 14 de Novembro de 2007

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